Nos dias 10 a 14 de agosto, docentes e discentes do PPGD marcaram presença no XV Encontro de Pesquisa Empírica em Direito, realizado na Universidade Federal do Pará. A participação carrega um significado que ultrapassa a mera presença numérica em um evento científico. Do ponto de vista epistemológico, essa presença expressa a adesão a um modo de fazer pesquisa que recusa a naturalização do discurso jurídico e assume o compromisso de investigar o direito a partir de dados, territórios e sujeitos concretos. Segundo Riccardo Cappi, professor do PPGD e fundador da REED, participar do encontro é submeter o próprio trabalho ao escrutínio coletivo, aprender com percursos metodológicos alheios e reconhecer que o conhecimento se constrói em diálogo, não em isolamento. Riccardo Cappi destaca que para o nosso mestrado, essa presença consolida uma identidade coletiva e sinaliza maturidade institucional: um programa jovem que já se apresenta como interlocutor na rede, e não apenas como espectador. E para a própria REED, encontros como esse reafirmam sua vocação constitutiva: ser menos um congresso e mais um espaço de tecitura de vínculos entre programas de pós-graduação. O PPGD se fez presente através da apresentação de dezenas de trabalhos, coordenação de Grupos de Trabalhos, Mesa Temática e lançamento de livros. Podemos registrar a participação da professora Adriana Lima, juntamente com os professores Alex Magalhães (UFRJ), Liana Viveiros (UFBA), Myrian Cardoso (UFPA) e Lucas Kozen (UFRG) na mesa “A regulação do espaço das favelas: resultados de uma pesquisa empírica em rede”. A pesquisa apresentada teve financiamento do CNPq e, entre seus produtos, destaca-se um caderno de diretrizes, visando incidir nas políticas públicas voltadas às favelas, vilas, comunidades urbanas e baixadas. As professoras Samene Batista, Marcia Misi e Gabriela Sá coordenaram o GT16 – Direito, linguagem, memória e epistemologias de grupos excluídos, no XV Encontro Nacional de Pesquisa Empírica em Direito, realizado na Universidade Federal do Pará (UFPA). O GT foi dedicado ao debate sobre pesquisas empíricas em Direito a partir de três eixos articuladores: linguagem, memória e epistemologias de grupos excluídos, promovendo a reflexão sobre como essas dimensões atravessam a produção do conhecimento jurídico a partir de investigações empíricas. A proposta desse Grupo de Trabalho também incluiu o professor Cláudio Carvalho e foi formulada como desdobramento das inquietações provocadas pela experiência de oferta em conjunto de uma disciplina do PPGD UEBAS articulada em torno da relação do direito com a linguagem, memória e epistemologias de grupo excluídos. Os pesquisadores Homero Chiaraba (PPGD-UEBAS), David Terranova e Julia Rodrigues coordenaram o GT64 – Vidas em julgamento: trajetórias e narrativas a partir de processos judiciais como fonte de pesquisa. O GT foi dedicado à avaliação e ao debate de investigações que tomam os autos processuais como fonte privilegiada de análise, promovendo a reflexão sobre como trajetórias individuais e coletivas, narrativas de sujeitos e conflitos sociais são reconstruídos e tensionados no âmbito da pesquisa empírica em Direito. Foi também lançado o Livro Zeis já: pelo direito a moradia e a cidade pela professora Adriana Lima e discente Fernanda Gonzales. O livro aborda o importante instrumento de política urbana das ZEIS e narra a experiência do Projeto de Extensão Zeis Já, premiado pela ANPUR. Durante o EPED, os docentes e os discentes também conheceram as Clínicas de Direitos da UFPA, acompanhados pela professora Luly Fischer e participaram da Roda de Conversa: Reflexões sobre a periferia na Comunidade do Marronzinho, promovida pela professora Myrian Cardoso, coordenadora da Clinica MultiverCidades da Amazônia. Essas atividades buscam fortalecer os trabalhos conjuntos realizados entre os docentes do PPGD e a UFPA. A participação no EPED reforça insere-se na agenda prioritária do PPGD, visto que a pesquisa empírica em direito ocupa posição central na renovação do campo jurídico brasileiro por deslocar a análise do plano estritamente normativo para a observação sistemática de como o direito é efetivamente produzido, interpretado e vivido.










